Crise de ansiedade: o que fazer quando o corpo dispara

Ansiedade e crise

O coração acelera, o ar parece não chegar e o corpo inteiro entra em alerta. Entenda o que está acontecendo e o que fazer quando a crise dispara.

O coração acelera. O ar parece não chegar. As mãos formigam, a vista embaralha e vem aquele pensamento assustador: “eu vou morrer agora”. Quem já passou por uma crise de ansiedade sabe que ela não é “frescura” nem exagero. É uma tempestade real, que acontece no corpo inteiro — e que costuma assustar tanto quanto passa depressa.

Este texto é sobre o que fazer nos próximos dez minutos, se você estiver vivendo isso agora, e sobre o que fazer depois, para que isso deixe de se repetir.

Por que o corpo reage assim

O cérebro tem um sistema de alarme antigo, desenhado para salvar sua vida diante de um perigo concreto. Quando ele dispara, o corpo se prepara para correr ou lutar: o coração bombeia mais rápido, a respiração fica curta, o sangue vai para os grandes músculos, a pupila dilata.

Na crise de ansiedade, esse alarme toca sem que haja um leão na sala. O mecanismo funciona perfeitamente — só está sendo acionado na hora errada. Daí vem quase toda a lista de sintomas. A respiração rápida e superficial derruba o gás carbônico no sangue, e isso, sozinho, já explica a tontura, o formigamento nos lábios e nas mãos e a sensação de irrealidade. Não é falta de ar por doença: é excesso de respiração.

“Isso pode ser um infarto?”

Essa dúvida é uma das mais buscadas na internet — e merece uma resposta honesta.

Sim, a ansiedade causa dor no peito. Costuma ser uma dor mais pontual, que muda quando você respira fundo ou muda de posição, e que aparece junto com o restante do quadro. A dor de origem cardíaca tende a ser em aperto ou peso, pode irradiar para o braço ou a mandíbula e costuma piorar com esforço físico.

Mas aqui vai a parte importante: na primeira vez, ninguém consegue fazer essa distinção sozinho, em casa, no meio do susto. Dor no peito nova, principalmente em quem tem pressão alta, diabetes, colesterol elevado, histórico familiar ou hábito de fumar, é caso de pronto-socorro. Descartar o coração não é exagero — é o primeiro passo de um bom tratamento psiquiátrico. Só depois que o clínico avaliou é que a conversa sobre ansiedade começa de verdade.

O que fazer durante a crise

Três coisas ajudam, e todas têm a mesma lógica: baixar o alarme em vez de brigar com ele.

Alongue a expiração

Não tente “respirar fundo” — isso geralmente piora. Inspire pelo nariz contando até 4 e solte o ar pela boca, devagar, contando até 6. O segredo está na saída mais longa que a entrada: é ela que aciona o freio do sistema nervoso. Faça por dois ou três minutos sem pressa.

Volte para o presente pelos sentidos

A técnica 5-4-3-2-1 funciona porque ocupa a atenção com o que é concreto: cinco coisas que você enxerga, quatro que consegue tocar, três que ouve, duas que cheira, uma que sente o gosto. Nomeie em voz alta se puder. O medo vive no futuro imaginado; os sentidos vêm no agora.

Deixe a onda passar

A crise de ansiedade tem um pico e cede, quase sempre em poucos minutos. Se for possível, não saia correndo do lugar onde ela começou. Toda fuga alivia na hora e ensina ao cérebro que aquele lugar era mesmo perigoso — e a próxima crise vem mais fácil.

O que não ajuda: respirar dentro de saco de papel (hoje é desaconselhado e pode ser perigoso), tomar o calmante que alguém ofereceu e ouvir “se acalma, isso é só da sua cabeça”.

Sobre o ansiolítico

Muita gente pesquisa como fazer o remédio agir mais rápido. Vale dizer com clareza: ansiolítico usado por conta própria, toda vez que o coração acelera, resolve a tarde e complica o ano. Essa classe de medicamentos tem papel definido e por tempo limitado, porque produz tolerância e dependência com o uso frequente. O tratamento que realmente muda o curso do transtorno de ansiedade envolve outras estratégias — medicamentosas e não medicamentosas — e escolha individualizada.

Quando procurar um psiquiatra

Uma crise isolada, num período de estresse intenso, pode não significar transtorno algum. Vale marcar uma avaliação quando as crises se repetem, quando você passa a ter medo de ter medo, quando começa a evitar lugares, dirigir, viajar ou ficar sozinho, quando a ansiedade já atrapalha o sono, o trabalho ou os relacionamentos, ou quando o ansiolítico virou rotina.

Ansiedade tem tratamento com boa resposta, e quanto mais cedo começa, menos o medo restringe a vida.

Avaliação individualizada

Converse com o Dr. Milton Mendonça

Se as crises estão se repetindo ou começando a restringir sua rotina, a avaliação ajuda a investigar o que está por trás dos episódios e a definir um plano de tratamento individualizado.


Perguntas frequentes

Uma crise de ansiedade pode parecer um infarto?

Pode haver dor no peito durante uma crise de ansiedade, mas uma dor nova não deve ser diferenciada em casa no meio do susto. O texto orienta procurar pronto-socorro, especialmente quando existem fatores de risco.

O que fazer durante uma crise de ansiedade?

O texto orienta alongar a expiração, usar os sentidos para voltar ao presente e, quando possível, deixar a onda passar sem fugir imediatamente do local.

Respirar dentro de um saco de papel ajuda?

Não. O material afirma que essa prática hoje é desaconselhada e pode ser perigosa.

Posso usar ansiolítico por conta própria quando o coração acelerar?

O texto desaconselha o uso por conta própria e frequente, destacando risco de tolerância e dependência e a necessidade de escolha individualizada do tratamento.

Quando vale procurar um psiquiatra?

Quando as crises se repetem, começam a provocar medo de novas crises, evitamentos ou prejuízo no sono, trabalho, relacionamentos, ou quando o ansiolítico virou rotina.

Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento individualizado.

Este site não é um canal de urgência. Em situações de risco imediato, procure atendimento de emergência. Para apoio emocional, o CVV atende gratuitamente pelo número 188, 24 horas por dia.
Picture of Dr. Milton Mendonça

Dr. Milton Mendonça

Médico psiquiatra com atendimento em Recife, acompanhamento de adolescentes e adultos e atuação em diferentes condições de saúde mental.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Tem alguma pergunta?

Somos uma equipe de especialistas prontos para falar com você.